Atelectasia

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A atelectasia é caracterizada por um colapso total ou parcial do pulmão ou de um lóbulo pulmonar, que acontece quando os alvéolos (pequenos sacos pulmonares) se esvaziam. Ou seja, o pulmão "retrai-se" numa parte ou na sua totalidade por um bloqueio na passagem do ar pelos brônquios de maior ou menor calibre (bronquíolo).

 

Após um procedimento cirúrgico, esta é umas das complicações que é mais frequente. Para além disso, também pode surgir devido a outros problemas respiratórios como inalação de objectos estranhos que obstruem a via aérea, tumores pulmonares, líquido no pulmão, asma grave e traumatismos ou ferimentos no peito.

 

Dependendo da causa, a quantidade de alvéolos afectados é variável, bem como os sintomas desta patologia. Pode ser considerada uma doença grave pois com o colapso dos alvéolos há, consequentemente, menos quantidade de oxigénio no organismo. 

 

Geralmente, uma atelectasia de maiores dimensões costuma acontecer num paciente que se encontra já em meio hospitalar, contudo, é necessário contactar a emergência médica caso a pessoa apresente dificuldade respiratória pois também há outras condições, além das atelectasias, que podem causar esse sintoma (como por exemplo, a infecção por COVID-19). Caso tenha a percepção de ser bastante difícil respirar, procure contactar o 112 imediatamente. 

 

 

Causas da atelectasia

Uma das principais causas para surgir uma atelectasia é a obstrução de um dos brônquios (grandes ramificações da traqueia que conduzem o ar directamente para os pulmões). Para além dos brônquios, as vias aéreas inferiores também podem ser obstruídas causando atelectasia.

 

Essa obstrução pode dever-se a acumulação de muco/expectoração, tumor, objecto estranho aspirado, coágulos de sangue, estreitamento das principais vias respiratórias devido a infecções crónicas, fúngicas, tuberculose, pneumonia, pneumotórax, ou por traumatismo ou pressão externa.

 

Os tumores pulmonares podem crescer dentro de um brônquio ou pressioná-lo externamente, causando, em alguns casos, a atelectasia parcial ou total do pulmão.

 

Quando algum objecto, inadvertidamente, entra na via aérea e chega ao brônquio, a atelectasia poderá ocorrer. Isto costuma acontecer mais com as crianças, quando engolem algum brinquedo ou um pequeno objecto.

 

Num pós-cirúrgico em pacientes com alguma doença pulmonar crónica ou que ficam muito tempo acamados, pode acontecer atelectasia. Isto porque a anestesia altera a dinâmica de entrada e saída de ar dos pulmões, a absorção de gases e a pressão, o que em conjunto pode levar a algum grau de colapso nos alvéolos.

 

Num adulto, a atelectasia geralmente não é uma situação que possa causar risco de vida, já que as partes do pulmão que não foram comprometidas fazem uma compensação da perda de função da área afectada. Por outro lado, a mesma situação num bebé ou numa criança pequena pode representar uma ameaça à vida.

 

Factores de risco

Existem factores de risco que podem promover o aparecimento de uma atelectasia. Uma atelectasia pode acontecer num recém-nascido prematuro, pois neste caso os pulmões ainda não estão completamente desenvolvidos. Na idade entre 1 e os 3 anos também há mais probabilidade de acontecer. É também de maior probabilidade que aconteça em pacientes com doenças pulmonares como a bronquite, asma e fibrose cística, bem como em pacientes com os músculos respiratórios fracos e respiração muito superficial. 

 

Qualquer condição que interfira na tosse espontânea e problemas de deglutição, especialmente em idosos, a obesidade e sedentarismo também podem ser um factor de risco. 

 

As cirurgias, especialmente quando localizadas recentemente na região abdominal ou torácica, utilização de anestesia geral e imobilização prolongada, como o acamamento sem mobilização, podem provocar atelectasias. 

 

 

Os sintomas de uma atelectasia

Numa situação de uma atelectasia, o paciente pode sentir:

  • Dificuldade respiratória;
  • Respiração rápida e superficial;
  • Febre baixa;
  • Tosse persistente;
  • Dor constante no peito. 

 

Um exame de diagnóstico, como a radiografia, pode ajudar a confirmar se se trata de uma atelectasia, verificando o colapso pulmonar ou obstrução por corpo estranho. 

 

 

Tratamento da atelectasia

O tratamento para a atelectasia é realizado tendo em conta a causa e a severidade dos sintomas, sendo que nos casos menos intensos pode não ser preciso qualquer tipo de terapia. Nos casos com sintomatologia mais intensa, pode-se recorrer a Fisioterapia respiratória com exercícios de cinesioterapia respiratória para tentar expandir os alvéolos pulmonares. Estes exercícios podem incluir técnicas de desobstrução brônquica para soltar o acúmulo de secreções e muco que podem estar a obstruir a entrada de ar.

 

Nos casos ainda mais graves, pode ser necessário recorrer a cirurgia, para fazer a higiene das vias aéreas ou até para remover a parte afetada do pulmão, permitindo que volte a funcionar correctamente.

 

Sempre que existe uma causa que é possível identificar, como tumor ou presença de líquido no pulmão, deve-se sempre tratar primeiro o problema para garantir que a atelectasia não volta a surgir.

 

Como se previne?

Devem-se colocar os objectos pequenos longe do alcance das crianças para prevenção das atelectasias causadas por um corpo estranho. De igual modo, os brinquedos devem ser adequados à idade da criança.

 

Evitar estar deitado na cama durante muito tempo também é importante para prevenção das atelectasias, principalmente após uma operação. Aqui a Fisioterapia também ganha importância porque pode ser utilizada para a prevenção das atelectasias.

 

Os adultos, especialmente os idosos, deverão manter acompanhamento com dentista para que, eventualmente, não ocorra aspiração de dente ou prótese mal fixada para os pulmões.

 

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